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Resumos de livros

Os três mosqueteiros (Resumo de livro)

Postado em 26/01/2014

LIVRO "OS TRÊS MOSQUETEIROS"

AUTOR: Alexandre Dumas (pai)

AUTOR DO RESUMO: WILTON FONSECA VEJA MAIS RESUMOS AQUI

 

I

OS TRÊS PRESENTES DO SR. D’ARTAGNAN, PAI

Na primeira segunda-feira de abril de 1625, no Burgo de Meung, na hospedaria de Franc Meunier, hospedou-se um rapaz estranho. Era gascão, tinha um cavalo de péssima categoria e parecia um Dom Quixote de 18 anos.

Seu nome era d’Artagnan e trazia três presentes do Pai: o velho cavalo, 15 escudos e uma carta de recomendação para o Capitão dos mosqueteiros, Sr. De Tréville, amigo do rei Luís XIII.

Na hospedaria, desentendeu-se com um fidalgo e foi atacado por trás por seus ajudantes. Medicou-se com o bálsamo da Boêmia, receita materna e logo recuperou-se.

Porém, o tal fidalgo logrou subtrair da bolsa de d’Artagnan a carta de recomendação para o Sr. De Tréville.

Teve que vender o cavalo e entrou em Paris a pé. Conseguiu o endereço do Sr. De Tréville e decidiu procura-lo no dia seguinte.

II

A ANTECÂMARA DO SR. DE TRÉVILLE

D’Artagnan seguiu para a casa de Tréville, o capitão dos mosqueteiros que era muito respeitado, principalmente por ser amigo do Rei Luís XIII. Essa corporação tinha como rival os mosqueteiros mantidos pelo Cardeal Richelieu.

Chegando à casa de Tréville, d’Artagnan deparou com um ambiente movimentado. Foi difícil contornar a barulhenta multidão que estava no local e chegar à antecâmara onde ficavam aqueles os solicitantes de audiências ao capitão.

Finalmente, na antecâmara, d’Artagnan assiste a uma acalorada discussão entre dois mosqueteiros: Porthos, um homem jovial e espalhafatoso no vestir e Aramis, um jovem de 22 anos, tímido e de gestos delicados que pretendia tornar-se um abade.

Não presenciou o fim do debate, pois um lacaio anunciou que o capitão o estava aguardando.

III

A AUDIÊNCIA

O Sr. De Tréville, antes de iniciar a entrevista repreendeu seus mosqueteiros Porthos e Aramis por se deixarem prender num cabaré pelos homens do Cardeal Richelieu. Athos, o outro envolvido, chegou um pouco depois porque fora ferido seriamente no episódio. D’Artagnan sentiu todo o ódio que havia entre os homens de Tréville e os do Cardeal.

O Capitão teve ótima impressão de seu conterrâneo. Informou-o sobre as novas determinações do rei que proibia a admissão de novos mosqueteiros sem que esses dessem prova de merecerem a distinção. Por isso, começou a escrever uma carta de recomendação à Academia Real, pedindo que d’Artagnan fosse treinado na arte do manejo da espada. Queria dar ao rapaz a oportunidade de ser um mosqueteiro em nome da amizade que tinha com o seu pai.

Estava escrevendo, quando pareceu a d’Artagnan ter visto o fidalgo que havia roubado a carta de apresentação de seu pai a De Tréville. Correu no seu encalço, deixando o capitão perplexo, pensando na possibilidade de o seu protegido ser um agente secreto do Cardeal.

 

IV

O OMBRO DE ATHOS, O BOLDRIÉ DE PORTHOS E O LENÇO DE ARAMIS

Na sua desabalada corrida, “trombou” com Athos e depois Porthos. Teve que marcar um duelo com cada um deles. Refletiu sofre os últimos acontecimentos: ainda mal era 11 horas e já desagradara o Sr. De Tréville saindo inopinadamente de seu gabinete. Além disso, cavara dois bons duelos com mosqueteiros. Fora um azar haver se chocado exatamente com o ombro ferido de Athos e com o estimado boldrié de Porthos.

Aquele dia estava mesmo ruim para o gascão. Ao ver Aramis conversando com amigos, pegou o lenço que este deixara cair. Ele o fizera de propósito para não denunciar o seu romance proibido com a dona do lenço. Os amigos do mosqueteiro perceberam e ridicularizaram o moço. Assim, d’Artagnan conseguiu mais um desafeto e mais um duelo.

V

OS MOSQUETEIROS DO REI E OS GUARDAS DO CARDEAL

D’Artagnan encontrou Athos no local combinado. Este aguardava dois segundos que convidara para testemunharem o duelo. Estes chegaram, e para surpresa do gascão, eram Porthos e Aramis. Tiveram uma conversa cordial e d’Artagnan desculpou-se, pois se morresse no primeiro combate iria frustrar as expectativas dos outros dois rivais.

Mal Athos e d’Artagnan começaram a luta, foram surpreendidos pelo destacamento de Vossa Eminência que deu-lhes voz de prisão. Os mosqueteiros, que eram três, resolveram resistir ao destacamento composto por cinco guardas.  O gascão resolveu ajudar os mosqueteiros. A luta foi renhida e um dos guardas morreu, três ficaram feridos e apenas um restou sem ferimentos. Houve uma grande vitória dos realistas sobre os cardinalistas.

Os quatro homens meteram-se a caminho, de braços dados e comemorando. D’Artagnan raciocionou que se ainda não fosse mosqueteiro, pelo menos seria aceito como aprendiz.

VI

SUA MAJESTADE O REI LUÍS XIII

O Sr. De Tréville rapidamente dirigiu-se ao rei para justificar a briga de seus mosqueteiros contra os guardas. Aproveitou para elogiar d’Artagnan e distorceu completamente os fatos, pintando angelicamente os seus comandados. Concluiu afirmando que os mosqueteiros eram do Rei e só do Rei; eram inimigos naturais dos guardas que eram do Sr. Cardeal.

As escaramuças continuaram no dia seguinte, mas desta vez, os provocadores foram mesmo os cardinalistas. O Sr. De Tréville, usando de esperteza, conseguiu o testemunho de um cardinalista, Sr. De La Trémoille. Assim, julgou ser fácil obter o beneplácito do Rei.

O rei Luís XIII não imprimia um toque pessoal ao governo. Gostava de divertir-se com bailes e com o seu lazer predileto: as caçadas. Este esporte influía em seu humor; caçadas bem sucedidas faziam-no feliz e as fracassadas eram encaradas como um desastre. Os súditos aguardavam os sucessos do monarca no esporte para incomodá-lo ou não com os problemas sérios do reino. Quem governava era o Cardeal Richelieu e este tinha a sua guarda que se rivalizava com os mosqueteiros do Sr. De Tréville. Os duelos entre as duas corporações faziam parte da rotina de Paris.

Esclarecido problema da briga, o rei quis interpelar o gascão bearnense d’Artagnan. Este contou como fora ofendido pelo guarda Bernajoux, o qual quase pagara esse insulto com a própria vida e o Sr. La Trémouille, que nada tivera a ver com o assunto, com a perda de seu palacete.

No final, o rei perdoou d’Artagnan, autorizou o seu treinamento para torná-lo mosqueteiro e gratificou-o com uma boa quantidade de moedas de ouro. Quanto ao Cardeal, passou vários dias sem querer jogar xadrez à noite com o Rei.

VII

A VIDA PARTICULAR DOS MOSQUETEIROS

D’Artagnan dividiu a gratificação com os amigos.

Com sua parte na gratificação, d’Artagnan contratou um lacaio, Planchet, que logo se desiludiu, pois cria firmemente que o patrão fosse rico. Uma boa surra, convenceu-o a aguardar melhores dias na companhia do patrão.

Athos tinha também o seu criado, Grimaud. Este era quieto e discreto como o patrão.

Athos era introvertido e falava apenas o necessário. Porthos tinha um caráter inteiramente oposto: não só falava muito, mas também falava alto. Seu lacaio era Mousqueton. Este era um normando vaidoso que tinha como pagamento as refeições e as roupas velhas do patrão reformadas para as suas medidas. Mousqueton fazia, como seu patrão, uma figura bastante imponente.

O lacaio de Aramis era Bazin, um cidadão de Berry, de trinta e cinco anos. Graças à esperança que o seu senhor tinha de, um dia, entrar numa ordem religiosa, Bazin estava sempre vestido de preto. Era discreto e nunca discorria sobre a vida do patrão.

Athos morava numa casa simples e seu único luxo era uma bela espada que era ambicionada por Porthos, inutilmente.

Porthos morava num apartamento muito vasto e com aparência suntuosa. Nunca convidava ninguém, nem os amigos mosqueteiros, para visitar o seu interior.

Aramis morava num pequeno e aprazível apartamento.

Na residência mais humilde morava d’Artagnan com o seu lacaio, mestre Planchet.

D’Artagnan considerava Athos como um Aquiles, Porthos como um Ajax e Aramis como um José.

Os três mosqueteiros gostavam muito do jovem d’Artagnan. Desenvolveram, entre si, grande amizade. Enquanto isso, o jovem gascão iniciava o seu noviciado, sempre com a ajuda dos três grandes amigos.

VIII

UMA INTRIGA NA CORTE

O dinheiro da recompensa do rei acabou, as benditas 40 pistolas de ouro. Os três mosqueteiros, o noviço e os lacios estavam almoçando graças a favores de amigos. No jogo, conseguiram apenas novas dívidas.

A sorte mudou quando d’Artagnan recebeu a visita do Sr. Bonacieux,  seu senhorio, que não veio cobrar os três meses de aluguel atrasado, mas propor um negócio que renderia ao aprendiz 50 pistolas de ouro mais o perdão dos alugueis passados e futuros. 

A sua mulher, que era criada de quarto da rainha e sabia do seu romance com o duque de Buckigham, fora sequestrada a mando do Cardeal. Na certa, ele desejava denunciar o romance ilícito. O homem fez uma descrição do sequestrador. D’Artagnan percebeu que o malfeitor era o mesmo fidalgo que roubara, em Meung, a carta de apresentação do pai ao Sr. De Tréville.

A proposta era irrecusável, pois receberia uma boa quantia para vingar-se do fidalgo que o havia ofendido.

Nisso, o noviço vê na rua o desafeto. Não perde tempo e corre no seu encalço. Seus dias de penúria podiam estar no fim e a sua vingança poderia ser consumada.

IX

D’ARTAGNAN REVELA-SE

Uma vez mais, d’Artagnan perdeu o seu homem. Voltou para casa onde os três amigos o aguardavam. Revelou a eles os acontecimentos e arrematou dizendo que o seu inimigo parecia ser um demônio, uma ilusão e que haviam perdido um negócio em que havia cem pistolas de ouro ou até mais a ganhar.

Nisso, surge o Senhorio perseguido por quatro guardas do Cardeal. D’Artagnan entregou o burguês aos rivais sob o olhar reprovador de Porthos. Os dois outros mosqueteiros, porém, entenderam o ardil e parabenizaram o noviço pela sua inteligência.

Nesse dia, surgiu o famoso juramento que acompanhou para sempre os mosqueteiros: “Um por todos, todos por um”. D’Artagnan revelou-se como o mais inteligente dos mosqueteiros. Agora, iriam, todos os quatro, combater o Cardeal.

X

UMA RATOEIRA DO SÉCULO XVII

A casa do Sr. Bonacieux foi usada pela polícia como “ratoeira”. Isto é, quatro guardas nela esconderam-se e prenderam as pessoas que foram visitá-la. Do andar de cima, d’Artagnan conferia as atividades da guarda do Cardeal.

A esposa do Senhorio, que conseguira fugir dos seus sequestradores também foi presa. Por isso, d’Artagnan interveio e colocou os quatro guardas em fuga. A esposa do Sr. Bonacieux descreve o líder dos sequestradores. Dartagnan logo percebe que o bandido era o fidalgo que ele vivia a perseguir.

D’Artagnan deixa a criada da Rainha na casa de Athos que raramente por lá aparecia e vai ao palácio do Louvre pedir ajuda ao protetor da moça, o Sr. De La Porte. Este dirige-se rapidamente para a casa de Athos.

Enquanto isso, com a ajuda involuntária do Senhor de Tréville, d’Artagnan forja um álibi convincente, “provando” que às 9h30 da noite estava no palacete do Capitão. Esse álibio poderia ser útil no futuro.

XI

A INTRIGA DESENROLA-SE

D’Artagnan, voltando para casa, descobriu estar apaixonado pela Sra. Bonacieux e fez inúmeras fantasias. A sua amada tinha belas qualidades, inclusive era rica. Resolveu visitar Aramis cuja casa estava no caminho da sua.

Chegando à frente da casa do amigo, surpreendeu a Sra. Bonacieux mostrando um lenço a outra mulher que estava no lado de dentro. Ambas trocaram lacônica mensagem. Estranhamente, o lenço continha como decoração as mesmas iniciais CB e o mesmo escudo que enfeitava aquele outro que estava com Aramis no dia em que ambos se conheceram e quase entraram em duelo por causa do insignificante adereço. Dois fatos causaram-lhe estranheza: A sua amada estar ali e haver uma mulher na casa de Aramis.

A moça retirou-se e o aprendiz de mosqueteiro seguiu-a. Surpreendeu-a. Ela o fez prometer que guardaria segredo do que vira.

Assim, d’Artagnan voltou para casa onde Planchet informou que Athos fora preso por engano; os guardas confundiram-no com o seu patrão.

Saindo novamente de casa, pois iria encontrar-se no cabaré Pomme de Pin com Porthos e Aramis, encontrou novamente a sua amada. Ela estava acompanhada pelo duque de Buckingham. É bom lembrar que a rainha alimentava um caso com duque. O noviço acompanhou-os, para dar-lhes segurança, até à entrada do Louvre.

Agora, transportemo-nos para os meandros do Palácio do Louvre enquanto os nossos heróis voltam para casa.

XII

GEORGES ZILLIERS,

DUQUE DE BUCKINGHAM

A Sra. Bonacieux e o duque entraram facilmente no palácio. Afinal, ela era criada da rainha, Ana da Áustria, e ele estava disfarçado de mosqueteiro. O palácio era um labirinto, mas a moça conhecia todos os seus detalhes. Deixou o duque num local inacessível e pediu que ele aguardasse. Ele estava na França para atender a um chamado falso que não passava de uma cilada para desmascarar o seu romance proibido. Mesmo assim, ele resolveu não voltar à Inglaterra antes de ver a rainha.

Depois de alguns minutos surgiu a rainha Ana da Áustria acompanhada por Estefania, a única de suas mulheres espanholas que não havia sido expulsa pelos ciúmes do rei e pelas perseguições do Cardeal Richelieu. Com 26 ou 27 anos, formava um belo casal com o duque de 35. Ele ficou fascinado ante a inesperada aparição.

O lorde fez uma bela declaração de amor e a rainha fez-lhe ver que se fosse uma pessoa comum corresponderia ao seu amor. Mas tinha grande responsabilidade. Não adiantaram as juras. O duque de Buckingham apelou para o sentimentalismo dizendo que fora atraído para uma cilada, uma mensagem falsa, e que provavelmente seria assassinado por ordem do Rei do Cardeal.

A rainha deu ao duque um cofre como lembrança e implorou que ele partisse em nome da segurança dos dois. Ela, desta vez, deu mostras de que amava verdadeiramente o duque.

O duque despediu-se prometendo voltar no prazo máximo de seis meses como ministro ou embaixador. Assim, ver-se-iam às claras. No corredor, a Sra. Bonacieux o aguardava para fazerem o caminho de volta pelo labiríntico palácio do Louvre.

XIII

O SENHOR BONACIEUX

O Senhor Bonacieux foi parar na bastilha. Lá sofreu intenso interrogatório. Acusado de traição, refutou energicamente tal afirmativa.

Acabou dizendo que a sua mulher fora sequestrada e que desconfiava que o autor do sequestro fosse um fidalgo que havia seguido o casal várias vezes.

Após o interrogatório, o merceeiro aposentado foi levado a uma cela.

Já sabemos que Athos foi confundido com d’Artagnan e preso por causa do confronto que este tivera com os guardas do Cardeal. Athos nada fez para desmanchar o equívoco. Este fato impediu que, no dia seguinte, fosse realizada uma acareação entre d’Artagnan e o merceeiro, pois quem estava preso era Athos. Isso não impediu que Athos continuasse recluso.

Às nove horas da noite, o Sr. Bonacieux recebeu de um oficial a ordem de segui-lo. O homem achou que estava perdido. Foi conduzido a uma carruagem. No caminho, pressentindo que seria executado, desmaiou.

XIV

O HOMEM DE MEUNG

Foi levado a uma casa elegante. O aspecto do lugar tranquilizou-o. Depois, ordenaram que entrasse numa sala também confortável. Lá, aguardava-o um homem altivo de 36 ou 37 anos de idade, Armand-Jean Duplessis, Cardeal Richelieu.

O Cardeal leu o interrogatório do acusado e declarou que ele havia conspirado com a mulher, com a Sra. De Chevreuse e com Milord duque de Buckingham.

Para livrar-se, o merceeiro falou que que a sua jovem esposa dissera que o Cardeal Richelieu atraíra o duque de Buckigham a Paris para o perder e, juntamente com ele, a rainha. Afirmou que fora contrário à opinião da mulher e que a repreendera.

Incitado pelo Cardeal, deu dois endereços de comerciantes de tecidos frequentados pela mulher. O Cardeal logo percebeu que os endereços pertenciam ao duque de Buckingham e à Sra. De Chevreuse.

Em dado momento, entrou na sala o Conde Rochefort. Bonacieux reconheceu-o; fora ele quem raptara a sua mulher. Claro, era ele também o desafeto de d’Artagnan; aquele que roubara a sua preciosa carta de apresentação ao Sr. De Tréville.

Ficando a sós com o Cardeal, o conde demonstrou conhecer os passos de Buckingham e da rainha durante aquela noite no Louvre. Sabia até que a rainha presenteara o duque com um cofre contendo suas doze exclusivas agulhetas de diamante.

Após liberar o merceeiro e ainda presenteá-lo com boa quantia em pistolas de ouro, o Cardeal chamou novamente o conde Rochefort e ordenou que este não falasse uma só palavra sobre o que acontecera, pois queria surpreender a rainha.

Em seguida o Cardeal chamou o seu ajudante Vitray e deu-lhe a missão de ir a Londres para subtrair do duque duas das agulhetas presenteadas pela rainha.

XV

HOMENS DE BATINA E HOMENS DE ESPADA

 

 

 

O rei assinou a ordem de libertação.

 

O Senhor de Tréville, como capitão dos mosqueteiros, tinha aceso irrestrito aos aposentos do rei. Para lá dirigiu-se para solicitar a libertação de Athos.

O rei acabava de ser informado pelo Cardeal Richelieu de que a Sra. Chevreuse abandonara o seu exílio em Tours e estivera em Paris durante cinco dias quando muito conversou em segredo com a rainha Ana da Áustria. O rei e o Cardeal tinham a convicção de que a nobre servia a rainha não só nas intrigas políticas, mas também nas amorosas. Aproveitou para falar da prisão do aprendiz de mosqueteiro d’Artagnan que enfrentar a sua guarda para libertar a emissária da rainha, a Sra. Bonacieux.

O rei ficou possesso. Ia tirar satisfações da esposa quando deparou com o capitão Sr. De Tréville e logo lhe disse que acabara de saber belas coisas sobre os seus mosqueteiros. O capitão, no mesmo tom, respondeu que tinha belas coisas a dizer ao rei sobre os seus homens de batina.

O Sr. De Tréville jurou que os guardas do Cardeal prenderam Athos e não d’Artagnan. Disse que Athos não participara da libertação da Sra. Bonacieux porque naquele momento estavam jantando juntos no palacete. Afirmou que d’Artangnan, às 9h30 da noite, fora visitá-lo e não teria tempo hábil para cometer o ato do qual era acusado e depois dirigir-se ao palacete e chegar naquele horário. É bom lembrar que d’Artangnan tivera a precaução de atrasar o relógio da sala de jantar do palacete, acertando-o apenas na saída, assim forjando importante álibi.

Convencido, o rei assinou a ordem de libertação de Athos. O Sr. De Tréville retirou-se exultante. Mas, o homem de batina, o Cardeal, ainda tinha um trunfo para derrotar o homem de espada, o capitão dos mosqueteiros; informou, então, ao rei que o conde de Buckigaham também estivera em Paris durante cinco dias.

XVI

COMO O SR. MINISTRO DA JUSTIÇA SÉGUIER PROCUROU MAIS UMA VEZ O SINO PARA TOCAR, COMO FAZIA ANTIGAMENTE

 

O rei queria uma prova da traição da rainha. O Cardeal afirmou que Ana da Áustria conspirava contra o poder de seu rei, mas não contra a sua honra. O rei exigiu que a rainha fosse revistada, pois queria encontrar a carta que, ele sabia, fora por ela escrita naquele dia. Tinha certeza que o destinatário era o duque de Buckigham. O Cardeal encarregou o ministro da justiça, Séguier, para desincumbir-se da missão.

O ministro era um homem agradável. No tempo em que foi cônego, sucumbia facilmente às paixões. Por isso, quando pecava contra a castidade, repicava insistentemente o sino do convento e os monges logo rezavam para expulsar o demônio que atormentava o atormentava.

Ao sair do convento, entrou na magistratura e ganhou a confiança do Cardeal. Tornou-se ministro da justiça e agora estava com aquela delicada missão a cumprir: apropriar-se das cartas da rainha.

A rainha informou ao ministro que de fato escrevera uma carta e que ela estava em seu corpete. Naquele momento, o ministro constatou que precisava urgentemente do sino do tempo em que vivia no convento. Não foi preciso revistar a bela rainha. Ela tirou de seu peito a carta e entregou-a.

Tratava-se de um plano contra o Cardeal que ela odiava, porque no passado ele havia tentado conquistá-la. A rainha pedia ao seu irmão, imperador da Áustria, que declarasse guerra à França e exigisse como condição para a paz a demissão do cardeal.

O rei ficou feliz, porque havia na carta uma traição política, mas nenhuma palavra de amor.

O Cardeal convenceu o rei a promover um baile no palácio para fazer as pazes com a rainha. Depois de passados alguns dias, calculou o tempo que restava para a volta de seu emissário que fora a Londres para apropriar-se de pelo menos duas das lancetas de diamantes que a rainha havia dado de presente ao duque de Buckingham.  Assim, sugeriu a Luís XIII o dia 3 de outubro como ideal para o baile. Pediu ao rei que dissesse a Ana da Áustria que desejava vê-la com aquelas belas agulhetas de diamante no dia da festa.

XVII

O CASAL BONACIEUX

O rei procurou a rainha, falou-lhe do baile que seria realizado na prefeitura e pediu-lhe que usasse as tais agulhetas de diamante. Ana da Áustria perdeu a cor. O rei ficou contente com o “desmonte” da mulher. A rainha raciocinou que o Cardeal conhecia a história das agulhetas presenteadas a Buckingham, o rei ainda não. O poderoso clérigo devia estar aprontando um grande final para a questão. Estava perdida em seus pensamentos quando a bela Sra. Bonacieux, que escutara o diálogo, perguntou se podia-lhe ser útil.

Após conversarem bastante, ficou decidido que o Sr. Bonacieux levaria uma mensagem da rainha ao Duque de Buckingham alertando-o sobre as agulhetas. Com subterfúgios a esposa manteria o marido na ignorância sobre o objetivo da carta.

A Sra. Bonacieux, bela mulher de 23 anos, casada com um burguês vulgar de 51, dirigia-se para a sua casa sem pensar no marido. Tinha saudades de d’Artangnan, de sua nobreza, de seu uniforme da guarda que atraía as mulheres. Chegando a casa, teve com o marido um diálogo frio; sequer perguntou sobre os martírios da prisão. Ele, por sua vez, não deixou de perguntar a respeito do sequestro sofrido pela esposa. Ela desconversou.

Conversando com o marido, a mulher percebeu que ele mudara; agora era fiel servidor do Cardeal Richelieu e autêntico admirador do Conde Rochefort, o homem que a sequestrara para arrancar-lhe pela tortura confissões que pudessem comprometer a honra e até a vida de sua augusta senhora, a rainha. Bonacieux mostrou-lhe muitas pistolas de ouro que ganhara do conde.

Assim, estava difícil conseguir que o marido levasse a carta da rainha para Buckingham. O casal brigou, o merceeiro chamou a esposa de homem por causa de sua agressividade e ela chamou-o de mulher por causa de sua covardia. Nada o convenceu a ir a Londres. Quando ficou sozinho procurou imediatamente o conde Rochefort para dizer-lhe que a a rainha procurava um mensageiro para enviá-lo a Londres. De fato, o merceeiro aposentado tornara-se um fanático cardinalista. A mulher que nunca o amara, agora, odiava-o.

A Sra. Bonacieux foi surpreendida por uma voz conhecida que pediu-lhe para abrir a porta da passagem exterior, pois queria visitá-la. Sabemos que d’Artangnan era inquilino de seu marido e habitava o andar de cima da casa.

O AMANTE E O MARIDO

D’Artangnan ofereceu-se para levar a carta em nome de seu amor por Constance, a Sra. Bonacieux. Deu gargalhadas quando soube que levaria a bolsa do marido de sua amada com muito dinheiro dado pelo Cardeal. O Cardeal estava financiando a viagem que visava salvar a sua grande inimiga, a rainha da França.

Nisso, chegaram o merceeiro e o conde de Rochefort. O casal subiu ao quarto de d’Artagnan que se conteve, pois sabia que ainda não poderia se vingar do homem de Meung que lhe roubara a carta de apresentação.

Ouviram a conversa dos dois homens em que Bonacieux combinou com o fidalgo que iria procurar a mulher para aceitar o encargo de entregar a carta da rainha. Assim, desmascarariam os amantes. Tudo ia bem quando Bonacieux descobriu o roubo de sua bolsa. Saiu desesperado para tentar encontrar o ladrão. O Conde também retirou-se. Surgiu, assim, a oportunidade aguardada por d’Artangnan de começar a sua viagem a Londres.

XIX

PLANO DE CAMPANHA

D’Artagnan foi ao palacete do Sr.de Tréville para pedir uma licença de 15 dias. O capitão não quis conhecer a missão que era sigilosa, mas advertiu o rapaz de que sozinho não chegaria a Londres. Precisaria de pelo menos mais três companheiros. D’Artagnan, então, pediu que a mesma licença fosse concedida a Porthos, Athos e Aramis. O Sr. De Tréville afiançou que às duas da madrugada as licenças chegariam a cada um dos solicitantes.

D’Artagnan foi às casas dos companheiros e explicou-lhes que iriam para Londres. Não escondeu que a missão era perigosa e que pelas leis das probabilidade, haveria alguns deles que ficariam pelo caminho.

Os heróis resolveram levar os lacaios Grimaud, Planchet, Mousqueton e Bazin. Combinaram algumas estratégias.

Cada um deles, estendendo a mão para a bolsa, tomou setenta e cinco pistolas de ouro. Começaram os preparativos para a partida dentro de meia hora.

XX

A VIAGEM

Sucessivas emboscadas dizimaram, pelo menos momentaneamente, os mosqueteiros. No final do primeiro dia de jornada, sobraram d’Artagnan e o lacaio Planchet. Estavam sem os cavalos que, extenuados, não conseguiram prosseguir. Felizmente, estavam a apenas 100 passos de Calais, fronteira com a Inglaterra. Nessa ordem, Porthos, Aramis e Arthos ficaram, feridos, pelo caminho.

D’Artagnan e seu lacaio, Panchet, tiveram desagradável surpresa. O Cardeal havia fechado o porto de Calais. Embarcaria apenas quem tivesse uma autorização especial. Conseguiram a autorização, após um duelo contra um nobre chamado Conde Warders e seu lacaio Lubin que possuíam uma. O conde ficou gravemente ferido e o lacaio, amordaçado, foi amarrado a uma árvore. O aprendiz de mosqueteiro ficou levemente ferido. Precisavam obter a assinatura do governador na importante autorização.

Na casa do governador de Calais, d’Artagnan mostrou-lhe a autorização para viajar a Londres, fazendo-se passar por Conde Warders. Disse que conhecia d’Artagnan, o rebelde responsável pelo fechamento do porto. Deu uma descrição física do procurado ao governador que coincidia perfeitamente com a do nobre do qual ele havia subtraído a autorização. O procurador disse que iria procurar o bandido para agradar o Cardeal.

Às dez e meia da manhã do dia seguinte, d’Artangnan e Planchet pisavam o solo da Inglaterra.

D’Artagnan conseguiu entrega ao duque de Buckingham a carta da rainha. O duque esgava participando de uma caçada nas cercanias do Palácio de Windsor. Assim, pediu ao seu mordomo, Patrick, que lhes providenciasse dois cavalos.  E os dois homens, o aprendiz de mosqueteiro e o duque, partiram a galope para a capital.

XXI

A CONDESSA DE WINTER

Num galope frenético chegaram ao palacete do duque. Num compartimento secreto estavam as agulhetas da rainha. Consternado, o duque observou que havia apenas dez onde deveriam estar doze. Duas agulhetas foram roubadas. Estava claro que isso fora obra do Cardeal.

Buckingan descobriu facilmente a autora do roubo das agulhetas. Fora a Condessa de Winter. Ela fora a última pessoa a examinar as joias. Imediatamente, o duque determinou que o seu secretário e o joalheiro O’Reilly fossem levados a sua presença. Ao primeiro, determinou que fossem embargadas as saídas de navios dos portos ingleses. Usou a mesma estratégia que o Cardeal usara na França. Ao segundo, encomendou a confecção de duas agulhetas destinadas a substituir as roubadas.

Uma hora mais tarde, era promulgado, em Londres, o decreto que proibia a saída dos portos de qualquer navio tendo a França como destino. Aos olhos de todos, tratava-se de uma declaração de guerra entre os dois reinos.

Depois de estabelecer estratégias e fornecer autorização e especial bem como garantir os cavalos necessários para viagem, o duque dispensou cavalheirescamente o jovem.

Às 9 horas da manhã do dia seguinte, entrava a galope no grande pátio do palacete do Sr. De Tréville. Acabara de fazer cerca de sessenta léguas em doze horas. Foi recebido efusivamente pelo capitão.

XXXII

O BALLET DE LA MERLAISON

No dia seguinte só se falava, em Paris, do baile que os Srs. escabinos (espécie de vereadores) da cidade ofereciam ao rei e à rainha. Era chamado de Baile de la Merlaison e era o preferido do rei. 

Os preparativos foram realizados com esmero e cuidado especial foi dedicado à segurança do ambiente.

À meia-noite o rei chegou sob grande aclamação. Meia hora depois, chegou a rainha. As majestades retiraram-se para os gabinetes a eles reservados para trocarem de roupa. Todos notaram que o rei e a rainha apresentavam uma fisionomia preocupada. O Cardeal, que já havia chegado, notou, com um semblante alegre e despreocupado, que a rainha não ostentava as agulhetas.

O Cardeal aproximou-se do rei, que já havia se trocado, e entregou-lhe uma caixa. Havia duas agulhetas de diamante em seu interior. Richelieu disse ao rei que se a rainha aparecesse com as agulhetas, o que ele duvidava, verificasse se havia apenas dez. Em caso afirmativo, que perguntasse à rainha quem lhe poderia ter roubado aquelas duas que ele tinha nas mãos.

A rainha apareceu deslumbrante. No pescoço trazia as agulhetas.  O rei estremeceu de alegria e o Cardeal de cólera. Após a primeira dança, o rei contou e verificou que havia doze agulhetas no ombro de sua Majestade. Ao saber das duas agulhetas do Cardeal, Ana da Áustria disse ao clérigo, com ironia, que tinha certeza que aquelas duas agulhetas lhe haviam custado mais do que as outras doze que o rei comprara para presenteá-la.

D’Artagnan que fazia parte do corpo de segurança da festa foi conduzido pela Sra. Bonacieux a um quarto escuro adjacente ao gabinete da rainha. Ali, recebeu de mãos misteriosas um anel. Cogitou que era um presente da rainha reconhecida. Logo depois, a Sra. Bonacieux pediu para o rapaz voltar para casa onde encontraria um bilhete importante.

XXIII

O ENCONTRO

Chegando em casa, d’Artagnan encontrou a carta. Marcava um encontro para o dia seguinte às dez horas da noite, em Saint-Cloud, diante do pavilhão. Estava assinada: C. B., ou seja, Constance Bonacieux.

D’Artagnan acordou cedo depois de haver tido belos sonhos. Pediu ao lacaio Planchet para preparar dois cavalo para as 7 horas da noite. Na sala encontrou o Sr. Bonacieux que lhe fez várias perguntas aparentemente sem importância, mas com certa gravidade.  Depois, dirigiu-se para o palacete do Sr. De Tréville.

O Sr. De Tréville perguntou sobre os três mosqueteiros, pediu para d’Artagnan vender o anel que ganhara, pois era perigoso ostentar um presente da rainha. Insistiu para que o amigo viajasse naquela noite para procurar os amigos que ficaram na jornada a Londres, para fugir das garras do Cardeal que devia estar possesso no seu encalço. O aprendiz prometeu fazê-lo no dia seguinte porque tinha um compromisso inadiável para aquela noite.

O rapaz retirou-se e, no pátio do palacete, constatou que os cavalos dados por Buckingham haviam chegado. Seu lacaio escovava-os. Ao ver o patrão alertou-o sobre o comportamento evasivo do senhorio Bonacieux.

XXIV

O PAVILHÃO

Às nove horas, d’Artagnan chegava ao palacete dos Guardas, encontrando Planchet armado até os dentes. O quarto cavalo já chegara.

No caminho, dispensou o criado e seguiu. Chegando às portas do pavilhão, aguardou as badaladas das dez horas e das dez horas e meia. Não havendo sinal da amante, resolveu investigar. Descobriu vestígios de luta e até uma luva feminina toda enlameada. Desesperou-se.

Perto do pavilhão havia uma cabana. Nela, d’Artagnan encontrou um velho. Deu-lhe uma moeda de uma pistola e contou o seu martírio. No final, perguntou se o ancião vira a moça objeto de seu desespero.

O velho, com pena do rapaz, contou que a moça fora sequestrada de dentro do pavilhão por três cavaleiros chefiados por um fidalgo que chegara numa carruagem. Houve luta. No grupo havia também um homem grisalho e baixo que certamente não era nobre. No fim, levaram a moça à força na carruagem.

Pela descrição que o velho fez do fidalgo, d’Artagnan concluiu que era o mesmo homem que ele perseguia há tanto tempo.

Inconsolável, D’Artagnan entrou num péssimo cabaré, tomou uma garrafa de vinho e ali mesmo dormiu. No dia seguinte, às seis horas, encontrou o seu fiel lacaio e fez o caminho de volta.

XXV

PORTHOS

D’Artagnan foi aconselhar-se com capitão dos mosqueteiros. Este disse que o que ocorrera parecia obra do Cardeal. Sugeriu que o moço saísse imediatamente de Paris e comprometeu-se a cuidar do assunto com todo o envolvimento possível.

Disposto a acolher os conselhos do Sr. De Tréville, o aprendiz voltou para casa a fim de arrumar a bagagem. Na porta, encontrou o Sr. Bonacieux que lhe sorriu. Desta vez o rapaz percebeu o quanto pérfido e falso era o seu senhorio. Olhando para baixo, percebeu que as botas do senhorio estavam sujas de uma lama semelhante à existente nas proximidades do pavilhão. A mesma lama que sujava as botas de d’Artagnan.

Em casa, Planchet informou que Cavois, o capitão da guarda do Cardeal, havia procurado---o. Disse também que dera informações falsas sobre o paradeiro do patrão. O noviço percebeu que tinha mesmo que se retirar logo de Paris para não ser preso.

Parando em Chantilly, na mesma hospedaria em que ficara na viagem a Londres, d’Artagnan soube que Athos continuava naquele local. Soube que o mosqueteiro perdera até o cavalo no jogo. Pediu, então, ao hospedeiro que o levasse até o quarto do amigo. No trajeto, o hospedeiro falou sobre as suas aflições: o dinheiro que Arthos devia e não pagava e a sua vida que estava constantemente ameaçada porque o mosqueteiro não admitia ser cobrado. Informou que o homem havia mandado uma carta à amante pedindo ajuda e que esta recusou-se a socorrê-lo. Para tornar a história ainda pior, o mosqueteiro ferira-se no duelo com o estranho que o desafiara e o médico exigia o pagamento de seus serviços. O estranho do duelo pensava que Arthos era d’Artagnan. Ao perceber o engano, poupou-lhe a vida.

D’Artagnan encontrou o doente deitado jogando cartas com o fiel lacaio Mousqueton. Não estava mal, pois o criado caçava, pescava e preparava ótimas iguarias com o fruto de sua pesca e de sua caça. Seu fogão era a enorme lareira do luxuoso quarto que o hospedeiro não ousava pedir a desocupação. Além disso, surrupiava com habilidade o vinho do estoque do proprietário da hospedaria. Só não tinham dinheiro.

D’Artagnan contou como Aramis, ferido, ficara em Crèvecour e como deixara Athos em Amiens lutando contra quatro homens. Narrou, também, como ele próprio fora obrigado a passar por cima do ventre do conde de Wardes para poder alcançar a Inglaterra.

D’Artagnan deixou um dos quatro cavalos às disposição do amigo e partiu com Planchet à procura dos outros companheiros desaparecidos.

XXVI

A TESE DE ARAMIS

D’Artagnan, perdido em seus pensamentos, nem sentiu as seis ou oito léguas que separavam Chantilly de Crèvecoeur.

D’Artagnan dirigiu-se à mesma hospedaria onde deixara o companheiro de armas há doze dias. Teve a grata notícia, dada pela alegre hospedeira, de que o mosqueteiro ali continuava. Disse-lhe que naquele momento ele estava com o cura, superior dos jesuítas d Amiens, pois decidira ordenar-se padre.

À porta do quarto do amigo, foi barrado pelo escudeiro Bazin que não desejava que o seu patrão desistisse da mudança radical de vida; o seu sonho sempre fora servir a um homem da Igreja.

D’Artagnan empurrou o lacaio e entrou no quarto. Lá estavam o cura e o superior dos jesuítas. Alegre por ver o amigo, Aramis confidenciou-lhe que estava discutindo com os homens da Igreja o tema de sua tese para a ordenação.

Após prolongada discussão teológica, o superior e o curas retiraram-se. Os dois amigos ficaram a sós. D’Artagnan disse que o amigo seria considerado um desertor da tropa dos mosqueteiros. Aramis redarguiu que, na verdade, ele fora desertor da Igreja, pois o sacerdócio era a sua verdadeira vocação.

A conversa prolongava-se. A certa altura, d’Artagnan revelou ao amigo que a Senhora de Chevreuse ainda o amava; como prova, passou-lhe a carta perfumada que encontrara na casa do mosqueteiro. A partir desse momento, operou-se uma transformação no comportamento de Aramis e a Igreja perdeu um fiel pastor. Os dois companheiros festejaram ruidosamente a volta de Aramis à vida mundana. Para finalizar, espezinharam a outrora preciosa tese.

XXVII

A MULHER DE ATHOS

Faltava encontrar Athos e d’Artagnan decidiu partir novamente no dia seguinte. Antes de partir, deixou um cavalo ricamente ajaezado com Aramis.

D’Artagnan partiu para Amiens visando procurar Athos. Aramis ficou restabelecendo-se; prometeu treinar todos os dias em seu cavalo para ficar apto a acompanhar o amigo na volta.

D’Artagnan, enquanto viajava, pensava no amigo Athos. Ele era o mais enigmático dos mosqueteiros, imune até aos escândalos amorosos comuns na corporação. Esse mistério que banhava toda a sua pessoa tornava ainda mais interessante o homem cujos olhos ou a boca, mesmo na embriaguez mais completa, jamais haviam revelado o que quer que fosse, por mais habilidosas que fossem as perguntas que lhe faziam.

Em Amiens, d’Artagnan iniciou as suas buscas na hospedaria em que estiveram há cerca de 15 dias. O hospedeiro informou das muitas atribulações de Athos que acabou por encerrar-se na cave (adega) da hospedaria por livre e espontânea vontade. Não admitia que ninguém se aproximasse e recebia comida pelo respiradouro da adega para não manter contato com nenhum habitante da cidade.

Depois de breve desentendimento com uns nobres ingleses que queriam retirar Athos da cave à força, d’Artagnan conseguiu e